Cromo: um mineral essencial na prevenção da Diabetes Tipo 2

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Categoria : Produtos, Saúde | 22/12/2016 | Seja o 1º a comentar!

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O cromo é um mineral encontrado na natureza de duas formas, uma (Cr+6) tóxica aos seres vivos, encontrada em água e solo contaminado com resíduo industrial, e outra (Cr+3) naturalmente presente nas células animais, que exerce o efeito potencializador da ação da insulina, resultando em melhor captação de glicose sanguínea. A ausência desta forma de cromo na dieta de pessoas saudáveis pode elevar o nível de glicose no sangue acima da faixa de normalidade (99 mg/dl).

A recomendação do Comitê de Nutrição dos EUA estabeleceu, em 1989, que a ingestão diária de 35 microgramas seria suficiente para evitar aumentos indesejados de glicose no sangue em pessoas sem doenças e adequado estado nutricional, a literatura propõe, no entanto, que lactantes deveriam consumir 45 microgramas de cromo. Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) não estabelece um valor seguro exato para a ingestão de cromo, mas relata que dosagens de 125 a 200μg/dia além da dieta habitual pode favorecer o controle glicêmico e melhorar o perfil lipídico. A forma mais segura de ingestão suplementar de cromo é na forma de Picolinato de Cromo (CrPic3) ou Cromo Quelato.

Pesquisas mais recente indicam que o cromo também exerce outras funções metabólicas, como o favorecimento de síntese de proteína muscular, tornando-se assim elemento de pesquisa em duas novas frentes: prevenção de diabetes tipo II e o uso por atletas.

Vale ressaltar que a biodisponibilidade de cromo em geral é baixa, apresentando valores que não ultrapassam 3%, daí a necessidade de ingerir quantidades maiores para que possa ser absorvido. Há também outros fatores que interferem na absorção. Fitatos (presente nas leguminosas como feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico, em algumas nozes e também nos cereais como arroz, trigo, milho, aveia, centeio e seus farelos) e minerais como zinco, ferro e vanádio inibem a sua absorção, já aminoácidos, oxalatos (presentes no espinafre, beterraba, cacau em pó, acelga, pimenta, gérmen de trigo), vitamina C e amido agem como estimuladores.

O objetivo de se sugerir o cromo como suplemento alimentar, voltado para o esportista, não decorre apenas da preocupação da ocorrência de deficiência orgânica, mas principalmente porque o cromo pode favorecer a via anabólica por meio do aumento da sensibilidade à insulina, que, por sua vez, estimula a captação de aminoácidos e, consequentemente, a síntese proteica, aumentando a resposta metabólica adaptativa decorrente do próprio treinamento. Este fato pode acarretar em aumento do componente corporalmagro devido ao ganho de massa muscular.

Alguns estudos indicam que os efeitos relacionados à sensibilidade à insulina são desencadeados com doses equivalentes a 1.000μg/dia, o que representa 13μg/kg de massa corporal (estimando uma massa corporal média de 75kg). Todavia, cabe ressaltar que o exercício associado à suplementação de cromo no intuito de melhorar o controle da glicemia pode diminuir a necessidade de ingestão desse mineral.

Alimentos fontes de cromo

Estudo realizado por Silva (2014) identificou uma série de alimentos fontes de cromo:

Cereais e derivados: em especial a aveia e o pão francês

Leguminosas: feijão, soja e ervilha

Frutas: açaí, morango, banana (ressaltando que sementes e cascas de frutas em geral possuem maior teor de cromo)

Hortaliças e derivados: beterraba, cenoura, espinafre, extrato de tomate, farinha de mandioca e vagem

Carnes: alcatra, peito de frango, filé de peixe

Outros alimentos: castanha do Brasil, castanha de caju, amêndoa, achocolatado em pó

Contraindicações

A sua ingestão deve ser acompanhada por profissional médico e/ou nutricionista no caso de pacientes com anemia e outras deficiências orgânicas de ferro, já que o cromo compete como ferro pela ligação com a transferrina, proteína responsável pelo transporte de ferro recém-absorvido.

Referências

GOMES, M.; ROGERO, M.; TIRAPEGUI, J. Considerações sobre cromo, insulina e exercício físico. RevBrasMed Esporte _ Vol. 11, Nº 5 – Set/Out, 2005 PAIVA, A. Suplementação oral com picolinato de cromo em pacientes com diabetes tipo 2: um ensaio clinico randomizado. Tese de Doutorado em Ciências da Saúde. UFRGN. 2015. SILVA, L. Teor de cromo em alimentos e ingestão dietética de cromo por atletas de basquetebol. Tese de Doutorado em Produção Vegetal. UENF. 2014

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