Lactase: como funciona e quem pode utilizar

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Categoria : Produtos, Saúde | 18/07/2018 | Seja o 1º a comentar!

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A lactase é uma enzima produzida em nosso intestino delgado e tem como função hidrolisar (quebrar) a lactose o chamado ‘açúcar do leite’. Vários estudos apontam que após o desmame, algumas populações se tornam mais propensas à redução da produção da lactase, destacando-se os asiáticos, os negros e os caucasianos (europeus ocidentais).

A diminuição natural da produção de lactase por nosso organismo leva a problemas digestivos relacionados ao leite e seus derivados, os sintomas mais comuns são os desconfortos intestinais (formação de gases, flatulência, inchaço, cólicas e diarreias).

Há 3 situações possíveis relacionadas ao consumo de lactose, que só podem ser diagnosticadas por um médico: Intolerância, Alergia e Sensibilidade.

  • Intolerância: é uma reação adversa que envolve a digestão ou o metabolismo da lactose e não afeta o sistema imunológico, apenas digestivo.
  • Alergia: consiste numa resposta do sistema imunológico a alguns alimentos, geralmente está relacionados à proteínas, neste caso a alergia seria à proteína do leite e não à lactose (que é o carboidrato/açúcar do leite). As alergias costumam ser limitadas aos recém-nascidos.
  • Sensibilidade: é uma resposta anormal, por vezes se assemelha a da alergia, mas não ocorre em todas as ingestões de lactose.

A Intolerância à lactose pode ser (1) congênita, isto é, o bebê nasce sem a capacidade de produzir lactase, é importante destacar que esses casos são muitos raros e os estudos apontam que ficam muitas vezes restritos a Finlândia. (2) Por diminuição enzimática secundária a doenças intestinais, ou seja, após um diarreia ou outra doença intestinal que compromete as células da mucosa que são responsáveis pela produção da lactase, nestes casos a deficiência é temporária, e (3) a deficiência primária ou ontogênica, que é a mais comum, por se tratar justamente da diminuição natural na produção da lactase com o avanço da idade.

A apresentação dos sintomas da intolerância variam de pessoa para pessoa, estudos demonstram que há grande variação na relação entre quantidade de leite ou derivados consumidos e o aparecimento dos sintomas. Algumas pessoas podem ser afetados por pequenas quantidades de lactose outros só apresentam os sintomas quando ingerem grandes quantidades, por isso consultar o médico é sempre a melhor opção para saber qual o grau de intolerância.

A escolha do tratamento depende da gravidade da intolerância e, muitas vezes, das opções disponíveis. Evitar produtos lácteos raramente é necessário, porque a maioria das pessoas intolerantes à lactose são capazes de consumir pelo menos algumas gramas de lactose por dia.

Como a exclusão total e definitiva da lactose da dieta deve ser evitada, por levar a prejuízos nutricionais importantes de cálcio, fósforo e vitaminas, duas opções se tornam viáveis a primeira é o fracionamento do consumo ao longo do dia, evitando ‘picos’, e o consumo de produtos lácteos fermentados e maturados como iogurtes e queijos, que possuem uma presença menor de lactose.

A segunda opção é a ingestão de lactase, chamada de reposição enzimática exógena, como a Lactapod da Unilife que é comercializada em cápsula e é obtida a partir do Aspergillus oryzae*. A dosagem a ser consumida, normalmente disponível em 5.000 ou 10.000 FCC ALU, deve ser indicada pelo médico e vai variar do grau de intolerância e da quantidade que será consumida na refeição.

A reposição enzimática exógena deve acontecer logo antes da refeição que conterá o leite ou seu derivado, com um tempo máximo de 15 minutos de antecedência e se for realizada na dose adequada elimina completamente os desconfortos gastrointestinais. Ela é um método seguro, de uso tópico, para adultos e crianças diagnosticados com a intolerância à lactose, que garante a possibilidade de manter uma alimentação saudável, com a ingestão recomendada de cálcio, fósforo e outras vitaminas.

* O Aspergillus oryzae é um fungo probiótico que também é utilizado para a fermentação de soja, arroz, cereais e batatas, utilizados também para a produção de vinagre de arroz, molho de soja e missô.

Referências:

MATTAR, R., MAZO, D.F.C. intolerância à lactose: mudança de paradigmas com a biologia molecular. Rev Assoc Med Bras 2010; 56(2): 230-6.

SOCIEDADE DE PEDRIATRIA DE SÃO PAULO. Atualização de condutas em pediatria. N .61. Agosto 2012.

Intolerância à lactose e produtos lácteos com baixo teor de lactose. Revista Aditivos e Ingredientes.

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