Normas da ANVISA para alimentos alergênicos – II

Eng.ª de Alimentos Evelyn Marssola CastroPor:
Categoria : Saúde | 06/09/2017 | 3 comentários

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No artigo anterior falamos um pouco sobre alergias e intolerâncias e começamos a falar das dietas sem glúten. Essa semana vamos nos aprofundar no assunto para você ficar craque e sair ajudando outras pessoas a entender sobre uma das legislações mais polêmicas da ANVISA e ficar um passo de deixar a sua saúde em dia!

Como já vimos, a realização de dietas com restrição de algum nutriente não é importante para a ANVISA e por isso não existe uma legislação pautada nesse tipo de alimentação, mas o mais importante é que dietas com restrição de algum componente do alimento deve ser apenas indicada por um médico, pois, ao contrário da sua intenção, pode acabar prejudicando a sua saúde.

Muitos cientistas têm realizado pesquisas sérias mostrando que algumas das dietas livres de glúten, ao invés de trazerem benefícios à saúde do consumidor, podem trazer prejuízos graves e dessa forma não são recomendadas. Toda dieta deve ser indicada por um médico especialista.

Um desses estudos evidencia que uma dieta livre de glúten feita por pessoas que não apresentam a doença celíaca (alergia ao glúten) ou a má digestão desse componente nos alimentos, não causa melhoras na saúde desse indivíduo comprovada cientificamente, mas pode causar prejuízos, porque alguns produtos industriais livres de glúten apresentam maior quantidade de gorduras e açúcares na sua formulação.

Já a dieta que deixa de consumir alimentos industrializados por alimentos caseiros, com a substituição de ingredientes que contenham glúten, pode melhorar a saúde do indivíduo pelo simples fato do mesmo passar a ter uma alimentação mais saudável e livre de compostos que podem ser prejudiciais à saúde presentes em alguns produtos industriais, como o excesso de sal e açúcar, gorduras hidrogenadas, conservantes, corantes, entre outros, além de aumentar o consumo de produtos in natura e frescos.

Portanto, a dieta livre de glúten só é indicada para pessoas com doença celíaca, com sensibilidade ao glúten ou trigo e/ou pessoas com alergia ao trigo quando o mesmo é comprovado por um médico, pois, estudos mostram que um indivíduo exposto a uma dieta sem glúten pode apresentar aumento de peso, desenvolvimento de diabetes, outras síndromes metabólicas, falta de vitamina B, ácido fólico e ferro, que muitas vezes enriquecem as farinhas, inclusive para respeitar normas da ANVISA.

Dessa forma, de acordo com a Lei nº 10.674/2003, todo o alimento vendido já embalado deve conter a expressão CONTÉM GLÚTEN ou NÃO CONTÉM GLÚTEN, contudo, não estipula os limites da presença ou não de glúten.

Até 2015, os fiscais da ANVISA seguiam o estipulado pelo CODEX ALIMENTARIUS que diz que um alimento com até 20ppm de glúten é seguro para o consumo por pessoas celíacas, isso significa que em 1kg de alimento são aceitos 200mg de glúten, isso representa 20 em 1 milhão, que já é um limite baixo.

No entanto, com o surgimento da legislação RDC nº26/2015, sobre compostos alergênicos, a ANVISA passa a categorizar alimentos sem glúten aqueles que, quando analisados laboratorialmente, apresentem quantidades “indetermináveis” de glúten, pois admite-se que existem diversos graus da doença celíaca, podendo algum indivíduo apresentar reações com quantidades menores que 20ppm, ou seja, se alguém que consumiu glúten tocar em um celíaco agudo, pode desencadear uma reação alérgica.

Assim, as indústrias passaram a rever até mesmo a origem de cada ingrediente a fim de estipular se o mesmo teve qualquer contato com outros produtos com glúten categorizando a chamada contaminação cruzada, o que passa a categorizar aquele alimento como contém glúten a nível de traços (pequenos resíduos).

Uma contaminação cruzada pode ocorrer desde o plantio dos ingredientes de um produto. Se a plantação de arroz ou aveia (famosos substitutos do trigo ausentes de glúten) estiver ao lado de uma plantação de trigo, até mesmo o vento pode carregar partículas de glúten, ou se, no caso, a plantação de arroz foi realizada após a plantação de trigo no mesmo solo.
Até mesmo o transporte e armazenamento de produtos sem glúten não pode ser feito juntamente com alimentos com glúten para evitar a contaminação cruzada e a presença de traços de glúten em um alimento.

Por isso, uma indústria que processa outros alimentos com presença de glúten no mesmo local que produtos cuja formulação é livre de ingredientes com presença de glúten, não podem afirmar que seu produto NÃO CONTÉM GLÚTEN, conforme a nova legislação.

Se você é celíaco ou apresenta sensibilidade grave ao glúten ou trigo, pergunte para seu médico se o nível da doença exige que você consuma até mesmo produtos com ausência de traços (200mg por Kg de alimento). Se esse for o caso, apenas consuma produtos produzidos por empresas especializadas em alimentos sem glúten e que saibam te informar se aquele alimento é passível de ter sofrido contaminação cruzada desde o seu plantio.

Na próxima semana vamos falar sobre a RDC 26/2015 que lista vários alimentos como alergênicos que precisam ser informados nos rótulos.

Fique conectado e seja sempre um aliado da sua saúde!

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Comentário (3)

  1. postado por aguinaldo barbosa em 24/09/2017

    boa noite me deixou surpe contente pelas guantidade de produtor que voces nos auferese gostaria de compra a preso de atacado para revende .lo opobrema que nao tenho c.n.p.j enciste outra posibilidade para compra no atacado qual o minimo para compra no atacado

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