Saiba A Importância Dos Probióticos Para Nossa Saúde

Eng.ª de Alimentos Evelyn Marssola CastroPor:
Categoria : Produtos, Saúde | 29/03/2016 | Seja o 1º a comentar!

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Hoje em dia sabemos que podem existir alguns perigos escondidos nos alimentos. Um desses maiores perigos ocorre quando os alimentos não são higienizados ou preparados do jeito certo e acabam contaminados por bactérias, fungos, vermes e até mesmo vírus.

Essas contaminações podem chegar a ser fatais como no caso da carne de porco mal cozida (cisticercose), das conservas mal preparadas (botulismo – palmito) e de produtos lácteos artesanais ou produzidos com leite cru (listeriose).

Com os avanços da tecnologia e a intensificação dos estudos sobre os alimentos, a ocorrência de mortes ou desenvolvimento de doenças por contaminação por alimentos diminuiu muito. A indústria tem apostado cada vez mais em programas de controle de qualidade, tecnologias de processamento que deixem os alimentos seguros e até mesmo o uso de aditivos como conservantes, fungicidas, entre outros.

Contudo, apesar dessa prática parecer ser a resposta milagrosa para garantir que a nossa saúde seja preservada, causou uma consequência inesperada. O nosso corpo foi perdendo o costume de produzir anticorpos que antes eram o único recurso para nos proteger dessas contaminações. Ficamos mais fracos.

Outro fator que contribui para deixar nosso organismo mais fraco é o uso de antibióticos na pecuária, avicultura e piscicultura, uma vez que eles não são completamente eliminados pelos animais e acabam sendo ingeridos quando consumimos as carnes.

Um dos mecanismos pelos quais esse “enfraquecimento” ocorre é em razão dos conservantes e antibióticos “matarem” a nossa microbiota intestinal (antes conhecida erroneamente como flora intestinal) que é composta por inúmeras bactérias que fazem parte do nosso sistema de defesa. Além disso, essas bactérias também ajudam a evitar a ocorrência de alergias desenvolvidas a determinados alimentos, fato muito comum nos dias atuais.

Ironicamente conseguimos resolver um problema criando um novo problema que parece não ter solução, já que necessitamos de alimentos de maior qualidade e seguros, que não nos deixe doentes, mas também precisamos de uma microbiota saudável.

A solução desse novo problema existe e, na verdade, é simples. Cientistas chegaram à conclusão que precisávamos “reconstruir” a microbiota do nosso intestino, ou seja, ingerir essas bactérias para que o equilíbrio fosse retomado.

Dessa forma surgiram os probióticos, que são exatamente essas bactérias vivas que antes pertenciam ao nosso próprio corpo e que quando ingeridas na quantidade certa trazem benefícios para a nossa saúde.

A ANVISA (órgão que regula e fiscaliza a segurança de alimentos) já aprovou algumas bactérias como probióticas e recomenda a ingestão diária mínimade 108 UFC (unidades formadoras de colônia), ou seja, cem milhões.

Veja quais bactérias são liberadas como probióticas pela ANVISA:

  • Lactobacillus acidophilus;
  • Lactobacillus casei shirota;
  • Lactobacillus casei rhamnosus;
  • Lactobacillus casei defensis;
  • Lactobacillus paracasei;
  • Lactococcus lactis;
  • Bifidobacterium bifidum;
  • Bifidobacterium animalis (incluindo a subespécie B. lactis);
  • Bifidobacterium longum;
  • Enterococcus faecium.

Os probióticos têm sido, na maioria, adicionados em alimentos lácteos como iogurtes, leites fermentados, manteigas, queijos, entre outros. Contudo, novos produtos têm sido desenvolvidos como bebidas de soja, de arroz e farinhas fermentadas. Outra opção de consumo dos probióticos são as versões encapsuladas e em sachês para diluição em água ou leite.

O BioRich é um fermento para a produção de iogurte caseiro, nele estão inclusas duas bactérias probióticas: a Lactobacillus acidophilus e a Bifidobacterium animalis subs. lactis. Apesar das quantidades dessas bactérias não atenderem as exigências da ANVISA por apresentarem 106 UFC/g, quando preparado de forma correta, essas bactérias podem aumentar de número e trazer os benefícios à saúde.

Dentre alguns benefícios da ingestão dos probióticos estão à melhora do sistema imune, nos deixando mais resistentes, melhora do trânsito intestinal evitando a prisão de ventre e diminuindo casos de diarreia, auxílio no tratamento de úlceras e gastrites (causados pela bactéria H. pylori), supressão da infecção por bactérias patogênicas como a E. coli, facilita a digestão e absorção de alguns nutrientes, diminui casos de alergia a certos alimentos, entre outros.

ATENÇÃO: o nome das bactérias utilizadas e a quantidade de unidades formadoras de colônia (UFC) devem estar na embalagem dos produtos. Fique atento.

Referências:

BAARLEN, P. van; TROOST, F.; MEER, C. van der; HOOIVELD, G.; BOCKSCHOTEN, M.; BRUMMER, R. J. M.; KLEEREBEZEM, M. Human mucosal in vivo transcription responses to three lactobacilli indicate how probiotics may modulate human cellular pathways. Proceedings of the Nacional Academy of Sciences of The United States of America, v. 108, n. 1, p. 4562-4569, 2011.
BIELECKA, M.; BIEDRZYCKA, E.; MAJKOWSKA, A. Selection of probiotics and prebiotics for synbiotics and confirmation of their in vivo effectiveness.Food Research International, v.35, n.2-3, p.125-131, 2002.
FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS; WORLD HEALTH ORGANIZATION.Evaluation of health and nutritional properties of probiotics in food including powder milk with live lactic acid bacteria.Córdoba, 2002. 34p. Disponível em: http://www.who.int/foodsafety/publications/fs_management/en/probiotics.pdf?ua=1. Acessoem: 26 abr. 2014. [Report of a Joint FAO/WHO Expert Consultation].
GOMES, A. M. P.; MALCATA, F. X. Bifidobacterium spp. and Lactobacillus acidophilus: biological, biochemical, technological and therapeutical properties relevant for use as probiotics. Trends in Food Science & Technology, v. 10, n. 4-5, p. 139-157, 1999.

 

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