Selênio: um mineral fundamental na prevenção do câncer para mulheres e homens

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Categoria : Saúde | 05/10/2016 | Seja o 1º a comentar!

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Com a melhora no acesso à informação e a criação do Outubro Rosa (focado na prevenção do câncer de mama e saúde da mulher) e do Novembro Azul (focado na prevenção do câncer de próstata e saúde do homem), o número de estudos e pesquisas que tratam da prevenção do câncer aumentou consideravelmente.

Estes estudos têm como destaque alimentos funcionais, vitaminas e minerais que atuam como antioxidantes, anticarcinogênicos, antiinflamatórios, anti-hormonais, antiangiogênicos.

No caso do câncer de mama, vários compostos alimentares são estudados por sua ação quimiopreventina, sendo os principais: o ácido linoleico conjugado (CLA), os ácidos graxos poli-insaturados n-3, os fitoquímicos (isoflavonas, lignanas, etc), vitaminas A, C e E, os folatos (em especial o ácido fólico – vitamina B9) e o selênio.

Dentre os minerais supostamente envolvidos na redução do câncer de mama, o selênio é apontado como um importante componente da enzima antioxidante glutationaperoxidase, inibindo diretamente a proliferação de células epiteliais pela degradação da matriz, o que resulta na inibição da angiogênese, evento obrigatório para o desenvolvimento tumoral.

Por que consumir antioxidantes como o selênio previne o câncer?

Evidências têm demonstrado que distúrbios do metabolismo são comuns em células tumorais, levando ao aumento do estresse oxidativo. Segundo Cutler (2005), este é definido como um desequilíbrio entre antioxidantes e espécies reativas de oxigênio (EROs) a favor dos últimos. As EROs, que incluem radicais livres, são continuamente produzidas no corpo e têm importante papel fisiológico em baixas concentrações.
Em altas concentrações, devido a sua alta reatividade, as EROs causam lesões irreversíveis através de alterações oxidativas em lipídios, proteínas e no DNA. Suspeita-se que alterações nestas estruturas estejam ligadas ao desenvolvimento de várias patologias humanas incluindo o câncer de mama.

O Selênio (Se), um micronutriente com importante ação antioxidante, funciona como um agente antimutagênico, prevenindo transformações malignas de células normais. Este efeito protetor do selênio foi primeiramente associado com sua presença na glutationaperoxidase e na tioredoxinaredutase, enzimas que são conhecidas por proteger o DNA e outros componentes celulares do dano oxidativo.

O selênio é um nutriente essencial com potencial anticarcinogênico, particularmente quando suplementado. As principais formas de suplementos encontradas são selenometionina e selenocisteína. Em pequenas doses, o selênio promove proliferação celular, importante para a resposta imune. Em altas doses, mas ainda não tóxicas, o selênio pode reduzir o risco de câncer, impedindo o ciclo celular tumoral, estimulando a apoptose e inibindo a migração e invasão celular tumoral.

O selênio só atua na prevenção do Câncer de Mama?

Não. Apesar de alguns estudos indicarem que baixos níveis de selênio aumenta em 1,24 vezes o risco de câncer de mama, o primeiro estudo duplo-cego utilizando selênio como agente quimiopreventivo, Nutritional Prevention of Cancer (NPC), publicado em 1996 por Clark et al.. Estudou 1312 indivíduos de ambos os sexos e não foi observado efeito significativo na incidência de câncer de pele não-melanoma após suplementação diária com 200mcg/dia de selênio. Utilizando dados deste mesmo estudo comparou-se 457 homens que receberam esta suplementação com 470 homens que receberam placebo (estudo de seguimento por sete anos), observou-se incidência significativamente menor de câncer de próstata, pulmão, esofágico, gástrico, cólon e reto entre aqueles suplementados.

Estudos prospectivos publicados na década de 1990, envolvendo um grande número de indivíduos, cerca de 8000 a 11000, o baixo nível de selênio foi associado com um aumento significativo do risco de incidência e mortalidade por câncer.

O selênio também tem atua como elemento protetor em outras doenças crônicas como aterosclerose, artrite, cirrose e protetor de enfisema.

Quanto Selênio devemos consumir?

As recomendações de selênio, com base na ingestão que promove atividade máxima para a enzima glutationaperoxidase, de acordo com a DRI (Ingestão Alimentar de Referência) para indivíduos, segundo a Food and Nutrition Board e o Institute of Medicine, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, é de 55 µg/d, para homem ou mulher.

Donaldson (2004) destaca o selênio como um nutriente antioxidante e um elemento de proteção numa dieta de prevenção do câncer juntamente com o ácido fólico, vitamina B12, vitamina D, clorofila e também outros antioxidantes, como os carotenoides.

Quais são as fontes de Selênio?

O selênio está presente em cereais, como o trigo, na castanha-do-Brasil (castanha-do-Pará), em peixes e em menor quantidade biodisponível em lácteos e carnes. A concentração do mineral, no entanto, depende da disponibilidade do mesmo no solo.

No caso da castanha-do-Pará os estudos indicam a presença de 17,29µg/g, ou seja, aproximadamente 51 µg em cada castanha (com peso médio de 3g).

Ele também pode ser consumido na sua forma mineral, de selênio quelato, em cápsulas, uma forma mais prática e eficiente de suplementação, principalmente para alérgicos a castanhas, que é a principal forma de obtenção de selênio na forma alimentar.

Vale destacar que o seu consumo em excesso pode ser tóxico, daí a importância de acompanhamento nutricional.

Ainda não há estudos conclusivos, mas há fortes indícios de que o selênio também teria papel importante como coadjuvante no tratamento do câncer, uma vez que seu potencial antimutagênico poderia inibir a metástase, mas ainda são necessárias pesquisas aprofundadas sobre o tema.

Referências:
SILVA, J. F. Selênio, atividade biológica e sua relação com o câncer: uma revisão de literatura. Nutrivisa – Revista de Nutrição e Vigilância em Saúde, Vol2, Núm 1
PADILHA, P.C.; PINHEIRO, R.L. O papel dos alimentos funcionais na prevenção e controle do Câncer de Mama. Revista Brasileira de Cancerologia 2004; 50(3): 251-260.
ALMONDESL, K.G.S et al. O papel das selenoproteínas no câncer.  Revista da Associação Médica Brasileira. vol.56 no.4 São Paulo, 2010.

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